Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Carma e Darma – causa e propósito do destino

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Sob o ponto de vista de quem atravessa um momento de sofrimento agudo em sua existência, nada pode ser mais inoportuno e desagradável do que alguém racionalizar ou tentar “explicar” as causas de sua dor com base em eventos passados nesta ou em alguma vida pregressa.

A racionalização em momento inoportuno, longe de causar alívio, pode até mesmo aumentar o sofrimento e a revolta do sofredor, por ver alguém racionalizando friamente sobre seu sofrimento, em um momento em que desejaria receber conforto, empatia e calor humano.

O Carma e o Darma (respectivamente, a causa e o propósito dos eventos) devem ser estudados sim, mas em situações prévias de estabilidade e de normalidade. Jamais devemos atormentar um sofredor com racionalizações e explicações em um momento de sofrimento intenso.

Mas não há dúvida de que esses temas são importantes e sua compreensão prévia pode auxiliar o sofredor na compreensão e na absorção de seu sofrimento. Continue lendo

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Automóvel: abandone essa idéia

Automóvel: abandone essa idéia

A frase acima lembra, propositalmente, campanha publicitária para abandono do tabagismo. Assim como o cigarro, o automóvel traz danos à saúde pública, além de outros efeitos negativos ao meio ambiente, apresentados neste texto.

O automóvel talvez seja o maior símbolo do capitalismo e constitui o sonho de consumo da classe média. O crédito fácil e planos facilitados para o pagamento levaram, nos últimos anos, a um crescimento sem precedentes na indústria automobilística brasileira. Ocorre que os veículos em geral, e o automóvel em particular, apresentam alto custo ambiental e à saúde pública, normalmente não considerado nem pelo Governo nem pela população em geral.

Como amplamente divulgado nos últimos anos, o consumo de combustíveis fósseis é um dos responsáveis pelo aumento de determinados gases na atmosfera, os chamados gases de efeito estufa. Este efeito, por sua vez, tem sido associado por grande número de cientistas ao aquecimento global e a mudanças climáticas na Terra.

Os veículos representam parcela significativa do consumo de combustíveis fósseis, especialmente no caso do Brasil, cuja matriz energética tem grande participação de energia hidrelétrica. Para exemplificar, todo o setor de energia contribuiu com 23% das emissões brasileiras de dióxido de carbono em 1994, enquanto o subsetor de transportes participou com 9,2% e o subsetor industrial com 7,2%, ou seja, no Brasil, os veículos têm maior responsabilidade pelo efeito estufa que a produção industrial.

No entanto, o efeito de mais notória percepção talvez seja o da poluição do ar. Recente estudo realizado pelo Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo revelou que na Região Metropolitana de São Paulo a poluição causada pelos veículos mata indiretamente, em média, vinte pessoas por dia. As principais doenças agravadas pela poluição são enfarto, acidente vascular cerebral, pneumonia, asma e câncer de pulmão. Ainda de acordo com a pesquisa, que utilizou parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a probabilidade de uma pessoa morrer de doença cardiorrespiratória nos 39 Municípios da Região Metropolitana é atualmente de 10,9%, ao passo que, sem as emissões veiculares, cairia para 2,4%. O estudo estima, além disso, que a poluição também seja responsável por mais de treze mil internações por ano, representando custos da ordem de trezentos milhões de reais!

Outras seis regiões metropolitanas abordadas pelo citado estudo (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife) também apresentaram níveis de poluentes no ar acima do limite recomendado pela OMS, que é de 10 microgramas de poluentes por metro cúbico de ar.

Pesquisa da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) confirma que as emissões geradas por veículos automotores constituem a principal parcela das emissões de gases para a atmosfera nas áreas urbanas. Conforme o Relatório de Qualidade do Ar no Estado de São Paulo de 2008, da Cetesb, há cerca de duas mil indústrias de alto potencial poluidor e uma frota registrada de aproximadamente 9,2 milhões de veículos na Região Metropolitana de São Paulo, responsáveis pela emissão anual para a atmosfera de 1,56 milhão de toneladas de monóxido de carbono, 387 mil toneladas de hidrocarbonetos, 367 mil toneladas de óxidos de nitrogênio, 62,3 mil toneladas de material particulado e 25,5 mil de óxidos de enxofre. Desses totais, os veículos são responsáveis por 98% das emissões de monóxido de carbono, 97% de hidrocarbonetos, 96% de óxidos de nitrogênio, 40% de material particulado e 33% de óxidos de enxofre.

As razões acima indicadas são suficientes o bastante para que, ao menos, se adotem medidas de restrição ao uso do automóvel, uma vez que abolir completamente o seu uso não  é realista. Preferir caminhadas a pé ou bicicleta e adotar o transporte solidário, por exemplo, são ações que ajudam, mas é evidente que tal mudança exige não apenas desejos e atitudes individuais, como também aprimoramento das políticas de transporte público. Sobre esse aspecto, é interessante observar que diversas alternativas podem ser usadas, mesmo em cidades antigas, como as apresentadas na página “Carfree Cities” (http://www.carfree.com/). Nossas cidades, onde o transporte público é de péssima qualidade, com raras exceções, deveriam começar a aderir a novas formas de planejamento urbano. Cabe a nós, cidadãos, cobrar de nossos administradores essa postura.

Por Ilidia Juras