Tédio e perda de energia

20121116-184756.jpgDe acordo com a linguagem medieval, todos sofremos eventualmente de acedia, torpor espiritual, que na época era chamado de “a doença do monge”. A Idade Média entendia a alma úmida. Assim, quando ela estava seca, a pessoa sofria de uma “aridez do espírito”.
Na nossa época temos uma experiência semelhante: o tédio.
O tédio, como um hóspede seco e irritante, nos visita sempre que somos tomados por uma redução progressiva de entusiasmo, quase sempre em razão das tarefas diárias, geralmente repetitivas e constritas a um ambiente artificial (urbano), no qual pouco importa o valor e a variedade das almas individuais.
Sofremos o tédio. O que fazer?
Não podemos ignorar que a vida sempre nos fornece a energia suficiente para a jornada. Consequentemente, talvez isso nos leve a refletir sobre a maneira como estamos a despender nossa energia.
Embora grande parte de nossa energia seja escoada para atividades destinadas à sobrevivência, também é essencial saber administrá-la e para que ela sirva aos apelos de nossa alma, pois do contrário seremos consumidos pela obsessiva compulsividade de nossas expectativas (de produção) e que, na maior parte do tempo, contrariam nossa própria natureza ou os reais anseios criativos de nosso eu autêntico.
Assim, o mau uso da energia causa consequências nocivas e como resultado imediato – ostensivo ou discreto – nos tornamos “peças” de um contexto de vida deprimente e, por isso, nos sentimos aborrecidos, desanimados, vazios.
De outro lado, quando estamos entediados (e sem energia), podemos nos observar e aos sonhos e sentimentos para “mapear” o itinerário que está a nos conduzir diariamente a esta perda de energia.
Sem dúvida, a energia perdida é recuperável, mas desde que nos responsabilizemos pela escolha de viver a vida a que somos chamados viver. Em outras palavras: voltar a servir a alma, pois se o que estamos fazendo não está correto, a energia tende a esvair-se…
De forma simples, o tédio é um protesto da alma que remove autonomamente a energia de nós à medida que ela desaprova a forma como a estamos despendendo.
E este protesto, acompanhado de sintomas e aridez, na verdade, é uma advertência amigável e destinada a mudar nossa vida. Quando assumimos esta tarefa, a energia retorna e nos tornamos luminosos e entusiasmados diante das oportunidades que a existência nos oferece, pois agora vibramos em outra intensidade…
Saudações e carinhos!
Eugênia Pickina

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