A propósito de Anjos

20121115-135401.jpgPara a maioria das pessoas, o problema dos anjos (do grego ággelos = mensageiro) reside acima de tudo no fato de os mesmos serem “invisíveis”. Assim, contrariamente a uma quantidade de coisas que chamamos modernamente de “realidade”, eles não estão à venda nos supermercados, não se prestam para fazer negócios, não entram na política e também não tomam parte em programas de televisão. Em resumo, para muita gente os anjos são umas perfeitas inutilidades. Além disso, é preciso uma certa coragem para se falar de anjos a sério e em público, não vá alguém se lembrar de chamar um psiquiatra…
Os anjos existem?
É preciso aqui evitar logo à partida um erro fundamental: entrar em discussões ou altercações acerca da questão absolutamente desinteressante do “existir ou não existir” dos anjos. Senão, as pessoas se dividem entre descrentes ferrenhos (‘não me venham com histórias da carochinha, comigo o negócio é ver para crer…’) e crentes difusos (‘não sei não, sinto que tem aí qualquer coisa mais séria… afinal, até está na bíblia, não é?’) e o resultado é que propriamente o assunto dos anjos fica colocado de lado.É também importante desmontar essa fantasia acerca da “invisibilidade” dos anjos, como se isso fosse prova de que eles não existem. Afinal, há um montão de coisas neste mundo que é invisível, mas ninguém se preocupa em provar se existem ou não. Por exemplo (para não falar de banalidades como o ar que respiramos ou o buraco na camada de ozono) também o nosso pensar, sentir e querer, que são fundamento do nosso complexo existir humano e não-animal, são tão invisíveis como os anjos. Igualmente invisível é uma declaração de amor (e ao telefone, sem pele para tocar, fica ainda mais invisível) ou uma palavra amiga proferida num momento de aflição. Também invisível é a força que nos sujeita a todos à superfície deste globo no espaço sideral, não esquecendo que invisível é também a radioatividade de Tschernobyl ou o sofrimento de uma mãe perante o seu filho abatido a tiro à saída da escola em qualquer canto do Kosovo. Se a gente fosse medir a realidade do mundo só na base do que é perceptível através dos sentidos, ficaríamos com um pobre mundo, feito apenas de minerais mortos, plantas e animais — com homens, máquinas, armas atômicas e computadores à mistura.
Podemos assim deixar para trás o blá-blá infantil do “acredito/não acredito” e avançar no tema para colocar algumas questões bem mais interessantes: que espécie de existência têm os anjos, quais são as suas tarefas e como é que podemos chegar a contatá-los?
De que são feitos os anjos?
Comparado com as nossas assim chamadas “faculdades superiores” o nosso corpo físico pode ser chamado, sem pejorativos, de veículo inferior da condição humana. O investigador Rudolf Steiner sugeriu uma vez que podemos formar uma boa idéia daquilo que no caso dos anjos é veículo inferior, ou seja o seu “corpo”, se tivermos em mente a vasta diversidade dos elementos naturais que nos cercam, nas suas formas etéricas mais delicadas: a neblina que se ergue e se abate sobre campos e montanhas, a água de uma fonte que irrompe de uma rocha e se projeta fragorosamente num abismo, a portentosa descarga elétrica de um raio cortando os ares, momentaneamente unindo o céu e a terra, ou ainda as massas de ar que cruzam como vento o espaço em todas as direções, etc.
Devemos assim ter em mente que os anjos pertencem a um vasto espaço nocional que é como uma espécie de contrapartida existencial, não-sensorial, do nosso mundo sensorial. Por outras palavras, eles habitam na “outra metade” do mundo.
O problema dos atuais crentes da decadente Seita Universal da Matéria (também apelidados comumente de materialistas científicos racionais) é que, quando ouvem falar em “mundo não-sensorial”, costumam sentir um arrepio, começando logo a fazer fogo com os canhões da defesa costeira da massa cinzenta sob a calota craniana: “Devagar aí minha gente — se é não-sensorial, então não dá para sentir, e se não dá para sentir, então não existe, e se não existe é inútil, e se é inútil pertence ao lixo”.
Na verdade, para além do complexo e fascinante “mundo real- material” acessível à nossa instrumentação biológica, a esfera do “não-sensorial” é também um espaço extremamente real e denso da existência superior intrínseca de qualquer ser humano. Afinal, é nesse domínio que estão presentes os nossos ideais, os nossos impulsos de vontade, os nossos esforços de orientação da própria vida e destino, etc.
O interessante no caso dos anjos é que, pelo fato de eles prescindirem de um corpo biológico como o nosso, a sua constituição inferior ou “corpo”, fica um degrau acima da nossa. Eles evoluíram para uma hierarquia logo acima do plano humano, onde têm à disposição possibilidades de incorporação na natureza ou na subconsciência humana. As suas energias e qualidades são necessária e intrinsecamente diferentes daquelas que vigoram para a assim chamada condição humana. As pessoas que sabem o que é estar intensamente expostas aos elementos (por exemplo, através de uma demorada excursão pelas montanhas, de uma perigosa viagem marítima ou de intenso trabalho em campo aberto) conhecem muito bem esta experiência sutil, em que nos apercebemos intuitivamente da presença nos elementos de forças para além da realidade física que nos cerca.
(…)
Em todo o mundo assinala-se hoje em dia um crescente e surpreendente interesse pela literatura “angelical”. Alguns dirigentes religiosos formalistas até já começam a reclamar que as crianças falam mais de anjos do que de Deus…
Efetivamente, está em curso nos nossos tempos – tão invisivelmente como a própria presença dos anjos, mas com iguais conseqüências – um histórico processo de expansão e revelação de forças espirituais, que não tem paralelo na história do mundo. Um dos seus efeitos é o despertar simultâneo de milhões de pessoas para a necessidade de alimentar as suas existências com algo mais do que a mera luta pela existência, a qualidade material da vida ou a permanente luta pela afirmação da sua personalidade livre. Simultaneamente com este verdadeiro chamado na mais profunda essência oculta dos homens, erguem-se hoje formidáveis forças antagonistas que tentam obscurecer a consciência e receptividade das pessoas, utilizando para tal todos os meios concebíveis: uma medicina marcada pela distância humana e pela robotização dos procedimentos, uma política baseada em premissas decadentes e materialistas, uma cultura dominada por meios audio-visuais que apelam à violência e à provocação de instintos sexuais sem contexto anímico, um jornalismo de baixo sensacionalismo, uma ilusão de “mundos transcendentais” através de drogas, um virtual envenenamento coletivo por meio da poluição química, sonora e psicológica do meio-ambiente, uma militarização da vida laboral e política, e ainda uma invasão de mensagens rebuscadas de pretenso espiritualismo vindas de gurus de todas as cores e tipos (até mesmo sob a bandeira de Jesus-Cristo), que redundam quase sempre numa dependência sub-reptícia das consciências, etc.
No meio de tudo isto o mundo espiritual, e em especial o mundo dos anjos, iniciou uma fase histórica de revelação (Apocalipse) que está sacudindo contínua e invisivelmente o mundo. Mas não se trata da intervenção de um qualquer Deus jeovático castigador, que vem ajustar contas com uma humanidade pervertida e oferecer o paraíso para os bons, como muitas seitas de fim-de-mundo apregoam. Trata-se simplesmente de uma evolução natural daquilo que se vem preparando desde há séculos, como chance de desenvolvimento, de “pulo qualitativo” espiritual para a humanidade.
Os anjos como modernos mensageiros do futuro
Os anjos voltaram a falar – e a falar forte – aos homens, trazendo os seus impulsos e pondo as suas forças à sua disposição. Este processo decorre ininterruptamente, em todo o mundo, permeando todas as culturas e religiões e afetando até mesmo as pessoas que se dizem ateístas. Como disse uma vez simbolicamente Rudolf Steiner (propulsor da Antroposofia como ciência espiritual própria para os nossos tempos), está “chovendo a cântaros” do mundo espiritual. Mas o perigo enorme na nossa era reside no fato de que este processo se desenvolve invisivelmente durante a noite, enquanto os homens estão mergulhados no “sono”, isto é, na estação diária de “encher os tanques” nas regiões espirituais. Seria uma tragédia se a humanidade, no futuro próximo, não despertasse consciente e ativamente para a presença do “outro lado” da realidade e, entre outras coisas… esquecesse os anjos.
Os anjos são parceiros tão fiéis dos homens que sofrem com eles. Mais do que isso, os anjos precisam de ser regularmente lembrados na consciência dos homens, a fim de verem revitalizada e confirmada a sua ligação e poderem realmente GUARDAR e AJUDAR.

Por Raul da Franca Leal de Carvalho Guerreiro
(Cf. Revisão de artigo publicado na revista Crescer, Lisboa, dez. 1995, pp. 47-51)

Saudações e carinhos!
Eugênia Pickina

*Considerei pertinente este texto. E, entre tantas razões,  o próprio contexto histórico ao qual pertencemos. Assim, que nossos Anjos nos ajudem e nos guiem, inspirem “recursos” para que consigamos dar luminosidade e visibilidade ao nosso destino interior e nosso futuro comum.

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