Jornada e transformação

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O ouro vem das ferrugens, contam os alquimistas…
E acredito, no vácuo de Jung, que a transformação radical pode ocorrer em qualquer fase da vida, mas sobretudo no momento em que nossa identidade (eu inferior) e as atitudes conscientes se reorganizam ao redor de um novo cerne de conteúdos e valores – e a pessoa velha, que somos, simplesmente se deixa morrer.
Assim, paciente ou abruptamente, acontece o processo de dissolução de velhas estruturas emocionais e sua reforma em torno de um novo significado existencial, porque entendemos, de forma profunda, nossa natureza de passante.E, à medida que integramos nosso “estado de ser provisório”, enquanto energia coagulada, espírito encapsulado no elemento terra, abrimos mão de repetições crônicas e sem sentidos. Treinamos a atenção e nos liberamos da distração contínua dos sentidos, porque largamos as futilidades que nos fazem gastar mal o tempo, a febre do orgulho que faz endurecidos, os delírios da vaidade que minam a beleza interior em troca de uma vida artificial e modelada pelas características de uma sociedade que valoriza o estilo fast food
Em consequência, quando aderimos aos apelos do coração, trocamos a solidão do egoísmo pelo elemento communitas, e nos abrimos, como um girassol dirigido ao Sol, ao encontro com o Self, cuja imagem de verdades fundamentais e de sabedoria longamente vivida, nos anuncia pistas sobre quais tarefas da vida devem ser realizadas e nos rendemos à necessidade de aproveitar o tempo para nos desenvolver e, ao mesmo tempo, contribuir de forma amorosa com o lugar no qual habitamos.
Aprendemos, quase sempre pelo toque severo da dor, o quanto nos faz ocos não cumprir, com rigor, o que assumimos como (nossa) missão (pequena ou grande) antes de adentrar o corpo físico…
Ontem pensei bastante no meu irmão. Ele morreu recentemente.
Com cuidado, ao lidar com a saudade, indaguei sobre o quanto interrompemos nosso crescimento, o quanto negligenciamos os apelos de nossa alma, e isso em razão do medo, que nos escraviza na rotina, na previsibilidade, nas promessas de segurança – elas não podem ser cumpridas.
Há algum lugar seguro aqui?
Ao cruzar a ponte, o eu em nós se engana e briga por conforto, maniqueísmo e identificação. Quer agarrar-se a um estado de permanência, persiste em não assimilar a impermanência natural dos eventos e das coisas; age como um sujeito que sofre de uma indolente miopia.
E, então, onde está este “ouro”? Sinto que o “nosso ouro” é tão-somente a consciente presença do Self dentro do dia-a-dia da existência do ego. E esta presença, através de pistas diversas, pode fornecer as instruções essenciais para que consigamos realizar a jornada e cumprir com êxito nosso propósito evolutivo, pois é isso que nos faz únicos e luminosos.
Saudações e carinhos!
Eugênia Pickina

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