Comida com sabor de natureza

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Eles invadiram as prateleiras dos supermercados e estão conquistando seu espaço na mesa dos brasileiros. Mas afinal, o que são exatamente alimentos orgânicos?

“Chefs ensinam receitas saudáveis e a escolher ingredientes orgânicos”, “Supermercado promete baratear o preço de produtos orgânicos”, “Pesquisadores do RJ investem e ganham espaço com os orgânicos”, “A agricultura orgânica versus o método de cultivo tradicional”. Estas são algumas das manchetes encontradas em uma rápida busca em três dos sites de notícias mais lidos do Brasil, todas publicadas nos últimos dois meses. Em comum entre elas o tema principal: alimentos orgânicos.

O espaço cada vez maior dedicado ao assunto pelos veículos de comunicação é um reflexo do crescimento desse setor. É cada vez mais comum que se veja nos supermercados prateleiras exclusivas para produtos orgânicos e em grandes cidades, como São Paulo, é possível até encontrar lojas dedicadas somente a eles. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), apurados no Censo Agropecuário de 2006, primeiro ano em que o dado foi levantado, os estabelecimentos produtores de orgânicos são aproximadamente 1,8% do total, o que representa cerca de 90 mil locais dedicados à atividade. Desde então, o IBGE não realizou novas pesquisas sobre a produção orgânica no Brasil.

Os adeptos listam as vantagens de se consumir esse tipo de alimento, e elas vão desde benefícios à saúde e ao meio ambiente, até um maior respeito à cultura e à sociedade. Mas afinal, o que são exatamente os alimentos orgânicos?

Segundo a definição do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), são: “(…) produtos produzidos em um ambiente de produção orgânica, onde se utiliza como base do processo produtivo os princípios agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais. (…) Não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente. Não são utilizados fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos”. A citação está no site Prefira Orgânicos, criado pelo órgão para tratar unicamente deste assunto, o que representa a importância que o governo vem dando para o tema.

Ao contrário do que muitos pensam, não são só as frutas, legumes e verduras que podem ser orgânicos. Existe também produção animal orgânica, que respeita o bem-estar dos animais, dando a eles espaço adequado para movimentação, acesso a luz do Sol e condições para que o comportamento natural da espécie seja mantido. Além disso, o produtor não pode utilizar antibióticos e nem hormônios, e a ração precisa seguir também os padrões citados.

Os critérios rígidos exigem muito cuidado ao colocar à venda um produto dito orgânico. Para garantir que está comprando algo que seguiu realmente todas as normas, os consumidores têm dois grandes aliados: os rótulos e os selos de certificação. “Para uma certificadora dar a um item o selo de alimento orgânico, ela antes verifica a aplicação do plano de manejo orgânico do produtor. Este plano contempla todos os insumos usados na produção vegetal e animal e no processamento. Toda a cadeia precisa ser certificada, incluindo todos os fornecedores”, explica Alexandre Harkaly, diretor executivo do IBD Certificações, instituto que atua no ramo de certificações agropecuárias e alimentícias.

Alexandre lembra que, para saber exatamente o que está levando para casa, é muito importante ler os rótulos. “Nem tudo é produto primitivo. Por exemplo, o produtor de arroz pode fazer também bolo ou suco de arroz. Para isto, ele vai usar conservante, açúcar, acidulante, ou algum outro suco. Para um produto ser considerado orgânico, ele tem que ter 95% de orgânicos na sua composição e o rótulo tem que especificar isso e dizer quais são os itens não orgânicos”, diz o diretor do IBD.

A legislação possui ainda a definição de produtos feitos com ingredientes orgânicos. “Se o fabricante não conseguir chegar ao nível de 95%, ele pode colocar 70% de ingredientes orgânicos, então ele recebe este selo. Por exemplo, um pão feito com o trigo, o ovo e outros itens orgânicos, mas temperado com uva passa, castanha e itens não orgânicos, se enquadra nesse critério”, esclarece Alexandre.

Já que os alimentos orgânicos possuem tantos pontos positivos, porque eles ainda não conquistaram a maioria dos consumidores brasileiros? A resposta é o preço. Eles são mais caros do que os produtos cultivados com os métodos tradicionais, pois apresentam uma menor produtividade por hectare. Ainda não existem levantamentos precisos, mas as especulações são de que a produção orgânica produz na mesma área 30% menos do que a tradicional. Além disso, segundo o Mapa, os insumos necessários para o cultivo e criação são mais caros, devido à pouca oferta.

Para que esse quadro seja revertido, o governo acredita que é preciso fomentar a cadeia produtiva dos orgânicos e investir em tecnologia. Por conta disso, foi instituída oficialmente, no dia 21 de agosto de 2012, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo). “A ideia da Política é articular as ações de entidades públicas e privadas e também da sociedade civil, para que exista mais eficiência e resultados mais rápidos para o crescimento do setor. Ela cria instrumentos para mais transparência, mais diálogo e o estabelecimento de metas”, aponta o coordenador de Agroenergia do Mapa, Rogério Dias

Como incentivos possíveis, Rogério cita benefícios econômicos para os produtores de orgânicos. “Pode ser um crédito diferenciado, remuneração por serviços ambientais, isenções fiscais ou preços diferenciados nas compras governamentais. Todos esses elementos estão dentro da Política Nacional.” Sobre o crescimento do setor, ele afirma: “estamos apenas suprindo uma demanda da sociedade. Os consumidores estão mais conscientes. A Política pretende resolver os gargalos que impedem a expansão iminente dos orgânicos no Brasil”.

Os consumidores também são peça fundamental na visão de Alexandre. “Quanto mais as pessoas se preocuparem com os impactos do que estão consumindo, mais produtos com um modo de produção consciente serão ofertados. Os produtores e suas famílias ficam doentes ao pulverizar suas plantações com agrotóxicos. Quando têm informações, ele preferem cultivar orgânicos, só precisam ter para quem vender ”, enfatiza o diretor do IBD.

Por Alice Marcondes (Agência Envolverde)

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