Meditação – uma prática que sustenta o Ser

meditacaoSe o estado de vigília (ou concentração mental) está, principalmente, dirigido à vida de relação, inclinar-se à prática meditativa pode ensinar a pessoa a largar as impressões e o imediatismo sob as quais julga a si mesma e o mundo visível, abrindo-se para o despertar da vida interior, uma dimensão da solitude.

Claramente, o objetivo da meditação é auxiliar a personalidade consciente a dar menos valor ao julgamento racional e às condicionalidades, que geralmente intervêm nas ações e pensamentos cotidianos, pois isso dificulta o itinerário do autoconhecimento, uma meta do Si-mesmo.

Dessa perspectiva, a noção de julgamento adquire menos peso, pois, o que está em jogo, de fato, é o esforço que a pessoa pode fazer para não continuar no caminho inconsciente. Para isso, cativar-se no silêncio facilita tanto a consciência da própria individualidade (limites e potências), como estimula a renovação e a alegria de viver.

O hábito meditativo educa o redirecionamento da vida que se tornou tão materialista e superficial, ao ponto de a pessoa atravessar a jornada ignorante de suas reais aptidões, enterrando ou desprezando, muitas vezes, seu talento essencial.

Em suas Meditações, Descartes escreveu:

“Fecharei agora os olhos, tamparei meus ouvidos, desviar-me-ei de todos os meus sentidos, apagarei mesmo de meu pensamento todas as imagens de coisas corporais ou, pelo menos, uma vez que mal se pode fazê-lo, reputá-las-ei vãs e falsas; e assim, entretendo-se apenas comigo mesmo e considerando meu interior, empreenderei tornar-me pouco a pouco mais conhecido e mais familiar a mim mesmo”. (*)

A disponibilidade para a escuta interior ajuda o ser humano a percorrer o caminho com mais confiança, com mais discernimento. Quando meditamos, o Si-mesmo pode conduzir a cena e esta surge desembaraçada dos eventos externos, estando apta a influenciar positivamente muitas de nossas experiências infelizes ou obsoletas. Assim, colhemos otimismo, criatividade e serenidade – recursos preciosos para uma vida mais sadia e equilibrada.

Eugênia Pickina

(*) (1962) Descartes. Meditações. São Paulo: Difel, p. 136.

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