Seria o adoecer uma possibilidade de transcendência?

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Conhece-se pela medicina (modelo biomédico) o como se adoece, mas as razões do adoecer escapam ao seu campo de cognição, pois nela se procura abordar/tratar, com ênfase, o processo biológico da ativação dos mecanismos que levam à doença.

Mas podemos pensar a doença não como um mal e deslocada do campo predominante do biológico, inserindo-a em outra hermenêutica, que escuta cada individualidade e endereça o tratamento a partir da maneira como o próprio doente compreende a doença e no contexto da sua realidade, confluente à sua corporalidade e às suas representações sociais e simbólicas.

Adotado pelas terapias energéticas, este pensar, ao admitir os princípios da cura natural, considera as relações energéticas entre o ser humano e a natureza, agregando não apenas a expressão corpo-mente (campo íntimo e vibracional), mas também a sociedade (campo intersubjetivo e vibracional). Esta última, por ser dirigida por regras e padrões culturais, pode reprimir as aspirações mais íntimas do indivíduo, obstruindo potencialidades ou desejos que, saturados, são canalizados pelas vozes do corpo, dando lugar a desorientações ou doenças.

Isto quer dizer que o adoecimento revela uma ação operada no campo complexo do ser humano, sendo um meio de informar sinais e provocar sintomas, manifestando-se, por exemplo, através de uma doença crônica (alergia, artrite etc.) ou de uma doença aguda (pneumonia, diarréia, etc.), segundo uma estratégia que tem como fim despertar reajustes e mudanças.

Sabido o corpo como um organismo que tem canal com a mente e seus labirintos, a doença pode, na condição de metáfora, escancarar planos profundos no organismo, criando, pelo sofrimento, um caminho a ser percorrido para que a pessoa, reinterpretando a si mesma e à sua realidade, possa redefinir necessidades, valores e objetivos, aderindo ao devir.

Eugênia Pickina

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2 responses to this post.

  1. Posted by Rosa Barros on 23/02/2010 at 11:49

    Quanto à pergunta do texto acima, eu não denho dúvidas. Quando uma pessoa adoece, ela viverá um momento único e que se for bem vivido, ela sentirá o seu significado . Eu digo sentir, pois no processo do adoecimento você mais sente do que pensa. Será essa a função maior da doença? O sentir?. Vejo que nós aprendemos muito mais sentindo do que pensando. A vivência do sentir atinge diretamente nossa alma e provoca mudanças mais profundas. É um processo de aprendizado forte e por enquanto necessário. Há sempre um grande significado oculto. E enquanto precisarmos dela , ela está sempre muito presente em nossas vidas. Quando aprendermos a Ser, ela cessará. Vejo a doença como uma grande oportunidade de auto-encontro.

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  2. Posted by Eugênia Pickina on 23/02/2010 at 14:42

    Sim Rosa, seu comentário está correto… A doença é sempre uma valiosa oportunidade para o autoencontro… E este “significado oculto” poderá ser decodificado caso a pessoa, que atravessa a enfermidade, se permita algum tipo de abertura. Nada é acaso, não é mesmo? Obrigada por partilhar suas ideias-opiniões! Volte sempre… Bjs. Eugênia.

    Responder

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