Dependência de psicoterapia

É freqüente no relato dos pacientes, principalmente os que estão iniciando um trabalho terapêutico, à referência de medo de dependência psicológica ao profissional. Isto leva a algumas pessoas a não procurarem tal tratamento ou a desistirem antes de verem algum resultado.

Em psicoterapia  a pessoa a ser trabalhada em toda a sua complexidade, e características, é sempre o mais importante. O papel do profissional é assessorar o processo, facilitar e  possibilitar uma reflexão profunda do paciente. Por mais ativo que seja o terapeuta ele ficará limitado até aonde o individuo está pronto ou disposto a ir.

Outro fator importante é o fato de que nos transtornos psíquicos bem definidos ou nos processos de ajuda psicológica em áreas mais focadas, por terem um caráter mais breve, de não mais que seis a oito meses de tratamento, o risco de algum tipo de dependência psicológica é muito baixa.

Nos processos de tratamento mais estruturais e de caráter existencial, que geralmente são mais longos, esta possibilidade pode existir. A psicanálise se utiliza deste vinculo mais próximo para possibilitar seu trabalho, mas isto é explicito e faz parte do processo deste tratamento.

Nas outras abordagens, quando isto ocorre, indica um desvio do processo. As terapias de base humanistas e transpessoais o foco está no paciente, isto é, se busca ativar o potencial curativo de quem é tratado.

Neste sentido é importante sempre lembrar que nestas abordagens o terapeuta só consegue levar os pacientes aonde ele mesmo já foi. Aqui a técnica e o conhecimento teórico não são o bastante, é necessário para um adequado procedimento e condução terapêutica de maturidade, muita abertura e respeito ao outro.

É sempre importante nos lembrarmos que ao evitarmos nosso trabalho psicológico pessoal, pelo receio de dependência, estaremos nos mantendo dependentes de nossos padrões distorcidos de pensamentos, emoções e comportamentos, esquemas, scripts, modos de vida, crenças limitantes e todas as suas conseqüências em nossas vidas.

Por Flávio Vervloet

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2 responses to this post.

  1. Posted by Rogério on 03/12/2009 at 14:37

    Faço terapia uma vez por semana a aproximadamente dois anos e meio, e acho que já me encontro dependente de minha terapeuta. Encontro-me também confuso, pois acho também que agora sinto-me atraído por ela. Não falo abertamente sobre o assunto nas sessões, mas acho, por esses motivos, que deveria encerrar o tratamento, embora o mesmo esteja sendo muito positivo poro outro lado. Não sei bem o que fazer.

    Responder

    • Posted by flaviovervloet on 04/12/2009 at 3:16

      Rogério,

      Grato por ter partilhado sua questão pessoal.

      Como coloquei no texto, esta dependência psicológica não necessariamente é ruim, diria inclusive que pode ser útil no seu crescimento pessoal. Mas quando há um envolvimento afetivo pode ficar dolorido, então a melhor coisa a fazer é levar isto para a terapia, conversar sobre o assunto em sessão.

      Apesar de que possa ser uma exposição para você a terapeuta sabe como lidar com a questão ou pelo menos é preparada para isto. Se envolver afetivamente com a(o) terapeuta(o) num processo de psicoterapia é totalmente compreensivo e possível, o que não signifique necessariamente que a pessoa esteja apaixonado realmente, isto é natural e até comum. Há uma tendência de idealização em relação a pessoa que escuta e acolhe, principalmente neste caso em que o profissional não fala de si. Você já deve ter ouvido o termo transferência, que significa estarmos recriando numa relação terapêutica nossos relacionamentos parentais. Quando se trata de alguém do sexo oposto, é comum isto ser confundido com uma atração erótica, já que de fato quem está a nossa frente é outra pessoa e não nossos pais, então nossa atenção e interesse se mescla com a atração em função das circunstancias.
      Espero que tenha te ajudado na sua questão,
      Abraços,
      Flávio

      Responder

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